Confiança Digital na prática: como transformar processos críticos sem perder segurança, validade legal e confiança

Resumo do Executive Breakfast da Contisystems, realizado a 18 de junho na Nova SB

Num contexto em que a Inteligência Artificial, as ameaças de cibersegurança e a exigência regulatória estão a redefinir a forma como as organizações comunicam, contratam e protegem relações de negócio, a Contisystems reuniu, no passado dia 18 de junho, na Nova SBE, um conjunto de especialistas para discutir a confiança digital na prática. O Executive Breakfast juntou decisores de várias áreas para uma reflexão concreta sobre como inovar sem comprometer segurança, conformidade e validade legal.

Na abertura, Duarte Conceição, CEO da Contisystems, enquadrou o tema a partir de um paradoxo muito presente nas organizações: nunca tivemos tantos recursos tecnológicos disponíveis, mas também nunca foi tão fácil gerar desconfiança nos canais digitais. Das mensagens fraudulentas às chamadas suspeitas, passando pela proliferação de conteúdos gerados por IA, o desafio deixou de ser apenas digitalizar processos. Passou a ser garantir que esses processos são compreendidos, seguros, auditáveis e confiáveis.

IA: adoção rápida, confiança ainda em construção

A primeira intervenção esteve a cargo do Professor António Nogueira Leite, da Nova SBE, que trouxe também as principais mensagens preparadas por Pedro Brandão, Head of Digital Transformation da NOS. A sua apresentação partiu de uma ideia central: a Inteligência Artificial está a tornar-se o motor mais relevante da transformação digital, mas escalar IA com impacto real não depende apenas da tecnologia. Depende de dados, métricas, governo, controlo, capacidade de aprendizagem contínua e, acima de tudo, confiança.

Apesar da adoção generalizada de IA nas organizações, o professor sublinhou que muitas iniciativas continuam a não chegar a resultados mensuráveis. O problema, na maioria dos casos, não está nas ferramentas, mas na forma como o trabalho é redesenhado de ponta a ponta. A confiança digital, explicou, não é apenas uma questão técnica: envolve colaboradores, clientes, reguladores, gestores e todos os stakeholders que precisam de acreditar que o sistema é suficientemente seguro e fiável para substituir, melhorar ou complementar processos existentes.

António Nogueira Leite: “Quem falhar na adoção de IA, por muito bom que tenha sido no passado, tem menos de tudo.”

A experiência da NOS serviu como exemplo prático de uma abordagem que combina visão estratégica com execução incremental. Em vez de esperar por uma estratégia perfeita antes de agir, a organização tem vindo a trabalhar com pilotos, aprendizagem contínua e modelos de governance do tipo “hub and spoke”, em que existe uma coordenação central, mas também capacidade de implementação nas várias unidades de negócio. Entre os casos apresentados estiveram assistentes virtuais de apoio ao cliente, automação inteligente no tratamento de faturas, apoio aos vendedores através de dados integrados e mecanismos de supervisão humana sobre agentes de IA.

A mensagem foi clara: a IA só cria valor quando é acompanhada por dados bem tratados, processos redesenhados, auditoria permanente, análise de risco e mecanismos de intervenção humana. O “human in the loop” não desaparece; muda de papel, passando muitas vezes da execução manual para a supervisão, correção e melhoria contínua dos sistemas.

O enquadramento legal: confiança também se constrói com prova

Depois da reflexão sobre IA, Joana Pinto e Ana Bastos, partners da Antas da Cunha ECIJA na área de Digital Contracting & Compliance, trouxeram o enquadramento jurídico das transações digitais, das assinaturas eletrónicas e dos serviços de confiança. A intervenção começou com uma pergunta simples — quem ainda imprime, assina e envia contratos por correio registado? — para demonstrar que a digitalização das transações já é a realidade dominante. A questão decisiva é saber se, em caso de conflito, existe prova suficiente da identidade, da integridade do conteúdo e do momento da comunicação.

As especialistas explicaram que o regulamento eIDAS veio harmonizar, a nível europeu, os requisitos aplicáveis a assinaturas eletrónicas, identidade digital e serviços de confiança. Esta harmonização permite que documentos e comunicações digitais produzidos num Estado-membro possam ser reconhecidos noutros, desde que cumpram os requisitos aplicáveis e sejam suportados por prestadores qualificados.

Foram distinguidos vários níveis de assinatura eletrónica: a assinatura simples, com menor força probatória; a assinatura avançada, que permite identificar o signatário e detetar alterações; e a assinatura qualificada, como a Chave Móvel Digital ou o Cartão de Cidadão, que confere um grau superior de garantia. O mesmo raciocínio foi aplicado aos emails registados qualificados, que podem assumir um valor probatório reforçado quando emitidos por entidades reconhecidas e com requisitos como identificação de remetente e destinatário, selo temporal qualificado, proteção contra alterações e registo das operações.

Joana Pinto: “Quando há uma presunção legal, a outra parte é que tem que fazer prova que não é assim.”

Este ponto foi um dos mais relevantes da manhã: a utilização de serviços qualificados não serve apenas para digitalizar; serve para alterar a posição probatória das organizações em caso de litígio. Quando existe presunção legal, o ónus da prova pode passar para a parte contrária, tornando o processo mais robusto para quem apresenta a prova documental.

Ana Bastos: “O email registado, se for enviado por um parceiro qualificado e cumprir os requisitos do eIDAS, é equiparado a uma carta registada com aviso de receção.”

As oradoras reconheceram que os tribunais ainda estão num processo de adaptação a esta realidade digital, mas defenderam que o caminho é inevitável: à medida que a jurisprudência evolui e os operadores judiciais ganham maior literacia tecnológica, a utilização de provas digitais qualificadas tenderá a tornar-se cada vez mais natural.

O caso Universo: digitalizar sem perder robustez

A aplicação prática destes princípios foi demonstrada por Pedro Monteiro, Collections Operations & Strategy Director do Universo, numa conversa conduzida por Filipa Castela. O caso apresentado incidiu sobre comunicações de resolução contratual, um processo crítico no contexto de crédito ao consumo e de recuperação de dívida. Antes da digitalização, estas comunicações eram realizadas por correio registado, com todos os custos, tempos de espera e dificuldades de arquivo associados.

Pedro Monteiro explicou que, no momento da resolução contratual, a entidade financeira altera profundamente o plano de pagamentos do cliente, passando a reclamar a totalidade da dívida. Por isso, era indispensável que qualquer solução digital mantivesse a capacidade de comprovar que o cliente foi devidamente notificado e que a comunicação preservava validade jurídica e robustez regulatória.

A escolha da solução da Contisystems assentou em três fatores: certificação europeia, suporte jurídico e tecnológico, e experiência prévia positiva noutros processos de comunicação massiva, como o envio de extratos. O projeto foi descrito como uma iniciativa de processo, não apenas tecnológica, exigindo um mapeamento rigoroso das etapas, dos pontos críticos e dos requisitos de negócio.

Pedro Monteiro: “Terá sido provavelmente o projeto tecnológico que menos problemas nos trouxe após a entrada em produção.”

Entre os ganhos mais relevantes, Pedro Monteiro destacou a simplificação do arquivo e da recuperação de informação, especialmente em fases posteriores de cobrança, processos judiciais, pedidos de regulador ou venda de carteiras de NPLs. A documentação deixou de estar dispersa, difícil de localizar ou dependente de processos manuais.

Pedro Monteiro: “Tivemos ganhos inesperados, nomeadamente no arquivamento desta informação, que era um pesadelo antes desta implementação.”(…) “A redução de custos pelo processo é incrível.”

O conselho final do Universo para outras organizações foi direto: avançar. Não porque o digital substitua todos os canais tradicionais de imediato, mas porque permite criar processos híbridos mais robustos, com redução de custos, maior rapidez, melhor rastreabilidade e capacidade de manter alternativas físicas quando necessário.

Comunicações digitais como processos certificados de ponta a ponta

João Feliciano de Oliveira, Business Consultant e especialista em Serviços de Confiança da Contisystems, trouxe a visão operacional e os casos de uso mais frequentes. A sua intervenção organizou-se em torno de três palavras-chave: risco, impacto e evolução. O primeiro conselho foi envolver as equipas de compliance desde o início, para que a avaliação do risco, a interpretação regulatória e os objetivos de negócio avancem em conjunto.

Do ponto de vista dos impactos, João Oliveira destacou ganhos financeiros e operacionais muito concretos. Processos que no correio físico podem demorar dias ou semanas passam a ser monitorizados em segundos, com registo do envio, receção, abertura de links, utilização de OTP, autenticação por Chave Móvel Digital, assinatura e demais interações relevantes. A Contisystems atua, nesta lógica, como um “notário digital da transação”, garantindo rastreabilidade e prova de conteúdo.

João Feliciano de Oliveira: “Tragam a vossa equipa de compliance para a mesa no primeiro dia. (…)”

A apresentação percorreu vários canais possíveis — email, SMS, WhatsApp e push notification — e reforçou que a escolha deve depender da jornada do cliente, dos requisitos legais e do nível de segurança pretendido. Em algumas situações, a recomendação passa por combinar canais, por exemplo acompanhando uma notificação em área de cliente com uma comunicação certificada por email ou SMS, de forma a garantir prova futura do conteúdo e da interação.

João Feliciano de Oliveira: “Estamos a falar de trocar uma semana, no mínimo, por segundos.”

Foram ainda apresentados exemplos em banca, seguros e utilities: abertura de contas, contratos de crédito, comunicações de incumprimento, alterações contratuais, avisos de corte, processos de sinistro e recolha de confirmações ou assinaturas. Em todos os casos, a lógica é a mesma: integrar a certificação no processo existente, garantir validade legal e tornar a pesquisa futura mais simples, rápida e auditável.

Uma conclusão comum: confiança digital é estratégia, processo e prova

No encerramento, Duarte Conceição retomou algumas das principais ideias da manhã: escalar com confiança não é um desafio apenas tecnológico; é um desafio de processos, dados, governance, prova e experiência do utilizador. A tecnologia já existe, mas o seu valor depende da forma como é incorporada nos processos críticos das organizações.

O evento deixou como mensagem principal: a confiança digital não se constrói apenas com inovação. Constrói-se com enquadramento legal, escolhas tecnológicas qualificadas, envolvimento das equipas certas, clareza nos processos, capacidade de auditoria e preocupação com o futuro da informação. Da IA aos emails registados, das assinaturas digitais aos fluxos certificados, o objetivo é o mesmo: permitir que as organizações comuniquem, contratem e evoluam no digital com segurança, eficiência e credibilidade.

Soluções de Pagamento End-to-End

Num setor onde eficiência, segurança e experiência do cliente são determinantes, os processos de emissão, gestão e distribuição de cartões continuam, muitas vezes, demasiado complexos e fragmentados.

Para bancos e seguradoras, isto traduz-se em maior carga operacional, menor agilidade e dificuldade em garantir uma experiência consistente ao longo de todo o ciclo de vida do cartão.

A resposta passa por uma abordagem integrada, um modelo end-to-end que simplifica, centraliza e otimiza todo o processo.

Um modelo end-to-end pensado para o setor financeiro

O ciclo de vida do cartão começa muito antes da sua produção. Inicia-se no pedido online, onde a experiência deve ser simples, segura e totalmente digital.

A integração de processos como a contratação com assinatura digital, validações automáticas e onboarding permite eliminar fricção e acelerar significativamente a adesão. Ao longo deste percurso, notificações — via SMS ou email — mantêm o cliente informado em cada etapa, reforçando a transparência e a confiança.

Gerir todo o ciclo de vida dos cartões através de um único parceiro permite reduzir drasticamente a complexidade e aumentar o controlo operacional. Desde o pedido até à gestão contínua, cada etapa é desenhada para funcionar de forma fluida e integrada com os sistemas existentes, respeitando os requisitos exigentes do setor financeiro.

Pedido online de cartão: o início de uma experiência fluida

Antes mesmo da produção e entrega, tudo começa com o pedido do cartão — e é aqui que muitas experiências ainda falham. Processos complexos, pouco intuitivos ou excessivamente manuais criam fricção logo no primeiro ponto de contacto com o cliente.

Uma abordagem verdadeiramente end-to-end começa por digitalizar e simplificar este momento crítico. Com soluções de pedido online de cartões, é possível proporcionar uma jornada rápida, intuitiva e totalmente integrada, permitindo ao cliente aderir em poucos passos, a partir de qualquer dispositivo.

Este processo pode incluir contratação digital com assinatura eletrónica, validações automáticas e integração direta com os sistemas internos da instituição, garantindo conformidade e segurança sem comprometer a experiência.

Ao longo de todo o processo, a comunicação assume um papel central. O envio de notificações por SMS ou email permite acompanhar o estado do pedido em tempo real — desde a confirmação de adesão até à expedição do cartão. Esta transparência reduz incerteza, melhora a perceção de serviço e reforça a confiança do cliente.

Mais do que um ponto de entrada, o pedido online torna-se assim a base de uma experiência consistente e contínua, alinhada com as expectativas digitais atuais e totalmente integrada com as etapas seguintes do ciclo de vida do cartão.

Cartões com elevado nível de personalização

A flexibilidade na personalização permite adaptar cada cartão aos objetivos de negócio e aos diferentes segmentos de clientes. Seja através de materiais, acabamentos ou elementos gráficos, cada detalhe contribui para reforçar posicionamento e diferenciação.

Em paralelo, a incorporação de elementos de segurança avançados garante que esta personalização não compromete os níveis de proteção exigidos pelo setor.

Produção eficiente, com escala e consistência

A centralização dos processos de produção e personalização permite garantir qualidade uniforme e reduzir significativamente o risco de erro. Ao mesmo tempo, assegura a capacidade de responder a grandes volumes com rapidez — essencial para instituições com operações de elevada dimensão.

Este processo é complementado por mecanismos de validação e comunicação, como SMS de confirmação de morada e notificações de envio (“cartão a caminho”), que aumentam a taxa de entrega bem-sucedida e melhoram a experiência do cliente.

Este equilíbrio entre escala, controlo e comunicação é um dos fatores-chave para aumentar a eficiência sem comprometer a fiabilidade.

Cardmails que reforçam a comunicação com o cliente

O momento de entrega do cartão é um ponto de contacto crítico — e frequentemente subvalorizado. Os cardmails deixam de ser apenas um suporte físico e passam a assumir um papel ativo na comunicação.

Com design totalmente personalizado e alinhado com a identidade da instituição, tornam-se uma oportunidade para transmitir mensagens relevantes, apoiar o onboarding e orientar a ativação do cartão. O resultado é uma experiência mais clara, mais intuitiva e alinhada com a perceção de valor que bancos e seguradoras querem transmitir.

Distribuição integrada com visibilidade operacional e de comunicação

A logística de distribuição deixa de ser um processo isolado para passar a estar integrada no ecossistema da organização, permitindo maior coordenação e eficiência ao longo de todo o processo.

Ao nível das comunicações com o cliente, há uma total visibilidade — desde notificações de expedição até atualizações relevantes ao longo da jornada — assegurando transparência e consistência na informação partilhada.

No envio físico dos cartões, há visibilidade sobre todo o processo até à expedição, a partir do qual a entrega fica a cargo da transportadora. Ainda assim, este modelo permite às instituições manter um elevado nível de previsibilidade e gestão da operação.

Para bancos e seguradoras, esta combinação entre visibilidade de comunicação e controlo operacional é particularmente relevante em momentos críticos da relação com o cliente, onde o timing e a clareza da informação fazem toda a diferença.

Sustentabilidade incorporada no processo

A integração de práticas sustentáveis ao longo de todo o ciclo de vida dos cartões deixou de ser opcional.

A utilização de materiais como PVC reciclado ou o PLA permite reduzir o impacto ambiental sem comprometer a qualidade ou a segurança.

Em paralelo, iniciativas como o projeto MERECE promovem a recolha e reciclagem de cartões, contribuindo para uma economia mais circular e responsável.

Este compromisso reforça não só a eficiência operacional, mas também a reputação das instituições junto dos seus clientes.

A tecnologia como base de controlo, eficiência e experiência do cliente

É na componente tecnológica que o modelo end-to-end ganha maior profundidade e impacto — ligando todos os momentos do ciclo de vida do cartão.

Desde o pedido online, com contratação digital integrada, até à emissão e distribuição, a tecnologia permite orquestrar e automatizar processos, garantindo consistência.

Também ao longo da utilização do cartão, comunicações como extratos, avisos e notificações transacionais podem ser geridas de forma integrada, combinando canais físicos e digitais de acordo com o perfil do cliente e os requisitos do processo.

Também em fases mais sensíveis, como ações de cobrança, soluções como o envio de emails registados com valor jurídico permitem, sempre que possível, substituir o correio tradicional, garantindo prova de envio, integridade e rastreabilidade, enquanto reduzem custos e prazos.

O resultado é um ecossistema onde físico e digital se complementam, criando uma experiência mais fluida, eficiente e alinhada com as expectativas dos clientes.

Mais eficiência, mais controlo, melhor experiência

Ao consolidar todo o processo num modelo end-to-end, os ganhos tornam-se evidentes. A operação torna-se mais simples, os níveis de controlo aumentam e a capacidade de resposta melhora significativamente.

Ao mesmo tempo, a experiência do cliente beneficia de maior clareza, rapidez e consistência, fatores cada vez mais valorizados num setor onde a confiança é determinante.

Simplificar para evoluir

Num mercado exigente e em constante transformação, a capacidade de simplificar processos complexos é um verdadeiro diferencial competitivo.

Um modelo integrado de soluções de pagamento permite às instituições financeiras não só otimizar a operação atual, mas também criar bases sólidas para evoluir com maior agilidade.

Fale connosco para perceber como podemos ajudar a transformar os seus processos de emissão e gestão de cartões — com uma abordagem verdadeiramente “chave na mão”.